A pandemia do novo coronavírus tem sido marcada pela rápida disseminação do vírus, o crescimento exponencial de infectados e a pressão sobre os sistemas de saúde ao redor do mundo.
A covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, ainda não tem vacina nem tratamento próprio. Sua transmissão acontece de uma pessoa doente para outra ou por contato próximo por meio de aperto de mão (contato físico), espirro, tosse, gotículas de saliva, catarro, objetos ou superfícies contaminadas como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos etc.
A doença apresenta sintomas típicos da gripe (mas não engane-se: não se trata de uma “gripezinha”, nem de um “resfriadinho”), como tosse, febre e dor muscular. Para além disso, problemas no sistema respiratório, como dificuldade para respirar, também integram os sintomas da Covid-19. Alguns casos, mais graves, são acompanhados de pneumonia e podem levar à morte.
Além do grupo classificado de risco (idosos, pessoas com condições preexistentes e aquelas com o sistema imunológico mais sensível), há também uma população tão vulnerável ao vírus quanto: os indígenas. Sobretudo, os que vivem em aldeias isoladas, distantes de hospitais.
Com o agravamento da situação do coronavírus no Brasil, grupos indígenas têm agido, no interior de suas comunidades, para se prevenir da contaminação.
A Apib (Associação dos Povos Indígenas do Brasil) anunciou, no dia 12 de março, que adiou o Acampamento Terra Livre, evento anual que iria reunir milhares de indígenas no mês de abril em Brasília.
Dados preocupantes
Doenças respiratórias já são a principal causa de morte entre as populações
nativas brasileiras, o que torna a pandemia atual especialmente perigosa para
esses grupos.
Em 2018, segundo o Ministério da Saúde, doenças infecciosas e parasitárias

  • tipos de enfermidades considerados evitáveis – foram responsáveis por
    7,2% das mortes ocorridas entre indígenas, ante uma média nacional de
    4,5%.
    Entre crianças indígenas com menos de um ano, doenças respiratórias foram
    responsáveis por 22,6% das mortes registradas em 2019, índice só inferior
    ao de mortes causadas por problemas no período perinatal (24,5%).
    Segundo a médica sanitarista Sofia Mendonça, pesquisadora da
    Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “há um risco incrível de o
    vírus se alastrar pelas comunidades e provocar um genocídio.”
    Ela afirma que o novo coronavírus pode ter para povos indígenas brasileiros
    impacto comparável ao de grandes epidemias do passado, como as causadas
    pelo sarampo.
    “Todos adoecem, e você perde todos os velhos, sua sabedoria e organização
    social. Fica um buraco nas aldeias”, afirma.
    Mendonça diz, por outro lado, que a memória de epidemias passadas pode
    estimular comunidades que vivem em territórios extensos a se dividir em
    grupos menores e buscar refúgio no interior da mata.
    “Provavelmente alguns vão se munir de materiais que precisam para caçar e
    pescar e vão fazer acampamentos, esperando lá até a poeira baixar”, conclui
    a sanitarista.
    Refúgio na mata
    Dois povos que vivem na Terra Indígena (TI) Caru, no norte do estado do
    Maranhão, decidiram se refugiar na mata para se proteger depois de receber
    notícias sobre o avanço do coronavírus no Brasil.
    O cacique Antônio Guajajara, representante dos Guajajara, explicou que a
    decisão foi tomada após reunião com a maior parte dos índios das aldeias.
    Primeiramente, o povo Awá Guajá, que também mora na TI Caru, decidiu ir
    para dentro da mata assim que soube que o vírus estava se alastrando por
    todo o país.
    Em seguida, os Guajajara fizeram uma grande reunião, com a participação
    de Antônio Guajajara, e também decidiram se afastar da aldeia para dentro
    da floresta.
    Segundo o cacique, apenas os índios da aldeia estão autorizados a entrar no
    local. Até servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) e indígenas de
    outras aldeias não podem entrar na região neste momento.
    Combate e Prevenção
    Tendo em vista o cenário atual da pandemia no país e os riscos do contágio
    atingir povos indígenas – sobretudo, pelo fato do seu modo de vida facilitar
    a propagação em grande escala da doença, no caso de contaminação -, é de
    extrema importância que o combate seja feito.
    Pensando nisso, listamos algumas prevenções essenciais para que este
    inimigo invisível não alcance os nossos povos:
     Evite sair da aldeia
     Evite visitantes que não sejam profissionais da saúde
     Lave bem as mãos com frequência (água e sabão), e se possível faça
    uso de álcool (seja os de 70% ou em gel)
     Evite aglomerações de pessoas (adiar festas e/ou possíveis eventos
    para diminuir os riscos)
     Em caso de sintomas, procure imediatamente a Secretaria de Saúde
    do Município
     Atenção redobrada com os índios idosos, gestantes, crianças e
    portadores de doenças crônicas (hipertensão, diabetes etc)
     Também no caso de sintomas confirmados, adote práticas de reclusão
    – como as usadas em ritos de passagem: use barreiras físicas, como
    paredes de palha, para que o recluso não tenha contato com os demais
    membros do grupo
    Até o momento não há relatos de contágios confirmados em indígenas
    brasileiros. O que por um lado nos alivia.
    Mas justamente pra evitar essa proliferação é necessário que tomemos
    todos os cuidados possíveis, respeitando as normas do Ministério da
    Saúde e contribuindo para que essa pandemia não chegue até as nossas
    aldeias.
    Lembre-se que esse é um combate de todos nós. E você é agente
    fundamental nessa prevenção.
    Solidariedade, serenidade, união e responsabilidade são
    fundamentais para que enfrentemos esse momento e logo possamos
    estar juntos novamente celebrando os nossos povos e culturas.

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