A liberdade de conversar sobre o assunto pode ajudar combater pensamentos suicidas, segundo especialistas; mais de 600 ações ocorrem hoje (10) no mundo inteiro.

800 mil pessoas todos os anos. Essas são as estatísticas de suicídio no mundo inteiro, segundo o relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): isso equivale a uma morte a cada 40 segundos.

A região das Américas, onde o acesso a armas de fogo é um recurso amplamente utilizado para cometer o suicídio, é a única que registrou aumento de 6% em relação ao declínio da média global – em 9,3%. Outros métodos mais comuns são enforcamento, envenenamento por pesticidas e armas de fogo.

No geral, o considerado grupo de risco de pessoas que atentem contra a própria vida enquadra idades entre 15 a 24 anos e aqueles com pouco mais de 45 anos. O suicídio é a segunda principal causa de morte, depois dos traumas causados por acidentes rodoviários.

A campanha

Hoje (10) é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio foi criado em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela OMS, a fim de prevenir o ato de retirar a própria vida, mediante às estratégias pelos governos mundiais. São programadas mais de 600 atividades em 70 países engajadas pela data.

No Brasil, o Setembro Amarelo foi escolhido como mês de conscientização pela prevenção do suicídio, criado em 2015 por uma ação conjunta entre o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Em todo o nosso país, 110 postos de atendimento com mais de 3.000 voluntários estão mobilizados durante esse mês. Dentre as ações planejadas estão a iluminação em amarelo de prédios e monumentos, caminhadas e passeios ciclísticos, palestras e rodas de debate, ações dentro de empresas e distribuição de balões amarelos.

Prevenção

Parte do declínio da taxa mundial de suicídio se deve ao fato de mais países terem investido em estratégias de prevenção. Desta forma, se somos o continente indo na contramão desses índices, fica evidente que precisamos tomar medidas mais emergenciais para lidar com a problemática do suicídio.

O tema ainda é tratado como um tabu em nossa sociedade, mas que se não tiver uma abordagem correta, livre, sem julgamentos ou preconceitos, vai continuar acontecendo sem que a sociedade saiba como se proteger. E o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio é o Dia D para a abordagem necessária ao assunto.

Mais de 90% dos casos estão associados a distúrbios mentais e podem ser evitados se tratados corretamente. Depressão, transtornos de ansiedade e de personalidade, entre outros, possuem causas chamadas de “multifatoriais”, ou seja, surgem a partir de inúmeras características específicas do indivíduo, ambientais e sociais, como: fatores biológicos, relacionamentos interpessoais e nível socioeconômico.

O primeiro passo é o diálogo livre sobre o suicídio e transtornos mentais. Especialistas da organização australiana, Beyond Blue, afirmam que ter a liberdade de conversar sobre o assunto pode ajudar a restaurar a esperança das pessoas que estão tendo pensamentos suicidas. A partir daí, a pessoa deve ser encorajada a procurar ajuda profissional indicado, como um psiquiatra ou psicoterapeuta, que irá atuar em um acompanhamento seguro e uma possível terapia medicamentosa.

No Brasil, as Unidades de Saúde Básica (UBS), aqueles postos médicos em bairros, recebem pessoas com depressão e cuidam do tratamento de casos leves, como parte da iniciativa da Atenção Básica do Governo Federal. Caso seja necessário, irão encaminhá-las para um especialista.

Para casos de depressão moderada ou grave, existem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) preparados para atender situação em que o indivíduo já apresente um maior comportamento suicida. Existe uma equipe multidisciplinar para atender o paciente para entender todas às suas particularidades, onde ocorrem a primeira etapa é a de acolhimento (com uma entrevista inicial) e o direcionamento a uma UBS ou hospital especializado.

Por fim, o CVV (Centro de Valorização da Vida) é um canal que oferece apoio emocional humanizado para prevenir o suicídio, atendendo de maneira voluntária e gratuita qualquer pessoa que necessite de uma conversa em momentos de angústia e isolamento. Todas as ligações funcionam em total sigilo por telefone, email e chat online a qualquer hora do dia e da semana.

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